O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (5) reduzir a taxa básica de juros, a Selic, para 14% ao ano. O corte foi de 0,25 ponto percentual, o quarto seguido nessa intensidade. A decisão foi unânime entre os membros do colegiado e já era esperada pelo mercado financeiro.
Com essa redução, a Selic acumula queda de 1 ponto percentual desde o início do ciclo de afrouxamento, em março. A taxa havia ficado em 15% ao ano por nove meses. Agora, os juros estão no menor patamar desde março do ano passado, quando estavam em 13,25% ao ano.
A diferença entre os juros dos Estados Unidos e do Brasil caiu para 10,25 pontos percentuais. Na semana passada, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, manteve as taxas entre 3,5% e 3,75%, com três diretores votando por um aumento de 0,25 ponto.
No cenário doméstico, os indicadores econômicos melhoraram desde a reunião de junho, com queda da inflação e moderação da atividade. O IPCA, índice oficial de preços, desacelerou para 4,64% nos 12 meses até junho, influenciado pela redução nos preços de alimentos. O IPCA-15, que antecipa a tendência da inflação, recuou para 4,52% nos 12 meses até julho.
Os números, porém, seguem acima do teto da meta de inflação. O centro da meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. No modelo atual, a meta é considerada descumprida se a inflação ficar fora do intervalo de 1,5% a 4,5% por seis meses consecutivos.
O comitê monitora a inflação esperada para o primeiro trimestre de 2028. A estimativa para o IPCA deste ano caiu para 5,03%, mas as projeções para 2027 e 2028 subiram para 4,22% e 3,8%, conforme o boletim Focus.
A economia brasileira mostra sinais de desaceleração no segundo trimestre, depois de crescer 1,1% no primeiro. Especialistas apontam os juros altos como principal motivo para essa perda de ritmo. Medidas fiscais e de crédito do governo de Luiz Inácio Lula da Silva podem, no entanto, estimular o consumo das famílias em ano eleitoral.
No exterior, o preço do petróleo caiu na véspera da reunião, com o barril Brent abaixo de US$ 80 pela primeira vez desde 13 de julho, após declarações dos Estados Unidos sobre um possível acordo com o Irã.
Cinco das oito reuniões do Copom neste ano tiveram quórum reduzido, com dois diretores ausentes. A próxima reunião está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.