O BRB (Banco de Brasília) informou nesta sexta-feira, 10, a destituição de dois diretores que ainda faziam parte da antiga administração da instituição. A medida ocorre durante investigações sobre suspeitas de irregularidades em operações que envolvem o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.
Os diretores executivos afastados são Diogo Ilário de Araújo Oliveira, da área de Atacado e Governo, e José Maria Corrêa Dias Júnior, de Tecnologia. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração do banco em reunião realizada no mesmo dia.
Em comunicado oficial aos acionistas e ao mercado, o BRB também anunciou a eleição de Bruno de Oliveira Watanabe para assumir a diretoria de Atacado e Governo. De acordo com o banco, o novo executivo possui experiência no setor financeiro e no setor público.
Sua trajetória inclui atuação em articulação institucional, relacionamento com o governo, estruturação de operações e estímulo ao desenvolvimento econômico. Dentro do próprio BRB, ele já ocupou cargos técnicos e gerenciais em áreas como crédito, mercado financeiro, gestão de riscos, compliance e criação de produtos financeiros.
O banco afirmou que vai seguir os procedimentos de governança e enviará o nome do indicado ao Banco Central do Brasil para a aprovação regulatória. A posse acontecerá após a conclusão de todos os trâmites necessários.
Enquanto os cargos permanecem vagas, as funções da diretoria de Atacado e Governo serão assumidas de forma temporária pela área de Finanças, Controladoria e Relações com Investidores. A diretoria de Tecnologia terá suas atribuições acumuladas com a de Controles e Riscos. A diretoria de Varejo ficará sob responsabilidade do setor de Negócios.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), havia solicitado ao presidente do BRB, Nelson de Souza, o afastamento de todos os executivos ligados ao caso Master. A atual gestão do banco contratou uma auditoria forense para apurar prejuízos e responsabilidades no caso.
Em nota, a governadora disse que a decisão não representa um julgamento antecipado e respeita o direito de defesa, mas garante que as investigações ocorram com isenção. Ela reafirmou o compromisso do governo com a apuração dos fatos, a proteção das instituições e a confiança da população.
Na última terça-feira, o BRB comunicou que a auditoria foi concluída e que o relatório final foi enviado à Polícia Federal. De acordo com informações repassadas à reportagem, o documento também já foi entregue ao Banco Central.
A análise foi realizada pelo escritório Machado Meyer Advogados, com apoio técnico da empresa Kroll. O trabalho colocou sob suspeita a conduta de antigos gestores do banco, entre eles o ex-presidente Paulo Henrique Costa.
Conforme as investigações, o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos considerados fraudulentos do banco de Vorcaro. O banco público do Distrito Federal tinha a obrigação de divulgar suas demonstrações financeiras referentes a 2025 até o dia 31 de março, mas não cumpriu o prazo legal.
Com o atraso na publicação do balanço, a dimensão total do prejuízo causado pelo caso Master nas contas do BRB segue sem uma definição clara. A falta das informações financeiras oficializa a incerteza sobre o impacto financeiro completo da operação.
O caso Master continua sob a atenção das autoridades reguladoras e de órgãos de controle. As investigações buscam detalhar o esquema de compra dos créditos e identificar possíveis responsáveis por eventuais ilegalidades. A troca na diretoria do BRB é vista como parte do processo de mudança na gestão do banco.
