Amazon reajusta preços de Kindle, Fire TV e Echo até 44%
Alta chegou primeiro aos EUA e depois à Alemanha; empresa culpa escassez global de chips de memória puxada pela expansão da inteligência artificial
Amazon reajusta preços de Kindle, Fire TV e Echo até 44%
A Amazon aumentou os preços de boa parte de sua linha de dispositivos, incluindo os e-readers Kindle, os aparelhos de streaming Fire TV, as caixas de som Echo e os roteadores eero. A mudança começou a ser notada nos Estados Unidos em 21 de agosto de 2026 e chegou à loja alemã da empresa em 24 de agosto, com reajustes que chegam a 44% em alguns modelos, segundo os sites Basic Tutorials e Yahoo Tech.
De acordo com o Basic Tutorials, a Amazon atribuiu o movimento ao encarecimento de componentes de memória RAM e armazenamento, dizendo que vinha absorvendo esse custo adicional havia algum tempo antes de repassá-lo ao consumidor. A empresa não divulgou a mudança em comunicado oficial: a alta foi identificada por veículos americanos como Fortune e Engadget depois que usuários e sites de comparação de preços notaram valores mais altos para Echo, Kindle, Fire TV e eero na loja dos Estados Unidos.
Quais produtos tiveram os maiores aumentos
Segundo o levantamento do Basic Tutorials na loja alemã, a família Fire TV foi a mais afetada. O Fire TV Stick HD subiu de 44,99 para 64,99 euros, uma alta de cerca de 44%. O mesmo percentual foi registrado no Fire TV Stick 4K Max, que passou de 79,99 para 114,99 euros, e no Fire TV Cube, que foi de 159,99 para 229,99 euros.
Entre os Kindles, o modelo básico de 16 GB teve alta de aproximadamente 36% na Alemanha, saindo de 109,99 para 149,99 euros. Já nos Estados Unidos, segundo o Yahoo Tech, o mesmo aparelho passou de 110 para 150 dólares. O Echo Dot de quinta geração subiu de 50 para 80 dólares no mercado americano, enquanto o Echo Show 21 teve o salto mais expressivo relatado pelo site, de 400 para 500 dólares.
Nem todos os aumentos seguiram um padrão proporcional ao custo dos componentes. O Yahoo Tech, citando reportagem do Gizmodo, apontou que o Kindle Kids passou de 130 para 180 dólares e o Kindle Colorsoft foi de 250 para 290 dólares, variações que, segundo a reportagem, sugerem que a Amazon também pode estar levando em conta a popularidade dos produtos e as margens de lucro ao redefinir os preços. Já os modelos Kindle Scribe e Kindle Scribe Colorsoft mantiveram os preços de 400 e 680 dólares, respectivamente.
O motivo por trás da alta: escassez de chips de memória
Um porta-voz da Amazon confirmou ao Fortune, em declaração reproduzida pelo Yahoo Tech, que a empresa está "enfrentando aumentos significativos nos custos de componentes de memória e armazenamento" e que, "depois de absorver esses aumentos pelo maior tempo possível", a companhia ajustou os preços em suas linhas de produtos.
O pano de fundo é uma escassez global de chips de memória NAND e DRAM, fenômeno que especialistas do setor vêm chamando informalmente de "RAMaggeddon", conforme descreve o Basic Tutorials. A causa apontada é a expansão acelerada de data centers voltados à inteligência artificial, que consomem grandes volumes de memória para treinar e operar modelos de linguagem, disputando a capacidade de produção dos fabricantes de chips com o mercado de eletrônicos de consumo.
O Basic Tutorials ainda observa que a Amazon não está sozinha nesse movimento: Apple e a fabricante de dispositivos de streaming Roku também elevaram preços de seus produtos nas últimas semanas por causa de problemas semelhantes na cadeia de suprimentos. Já o Yahoo Tech acrescenta que essa mesma expansão da inteligência artificial também pressiona redes elétricas, já que o treinamento de modelos exige grandes quantidades de energia e água, o que pode elevar custos operacionais e, no limite, contribuir para contas de luz mais altas.
Compras feitas antes do aumento e suporte a modelos antigos
Segundo o Basic Tutorials, pedidos já realizados antes da mudança não são afetados pelo novo preço. O site recomenda que quem pretende comprar um Fire TV ou um Kindle verifique promoções em andamento, já que alguns modelos ainda são vendidos abaixo do novo preço sugerido por causa de descontos temporários que mascaram o reajuste.
O Yahoo Tech relata ainda que a Amazon encerrou o suporte de software para alguns modelos de Kindle lançados antes de 2012, segundo apuração do Gizmodo, o que pressiona os donos desses aparelhos mais antigos a considerar a troca justamente em um momento de preços mais altos. Produtos da linha Ring, de câmeras e segurança residencial, ficaram de fora do aumento, de acordo com as informações disponíveis até o momento.
O que muda para quem compra no Brasil
As reportagens tratam especificamente das lojas da Amazon nos Estados Unidos e na Alemanha, e não há, até a publicação deste texto, confirmação de que os mesmos reajustes tenham sido aplicados à loja brasileira da Amazon. Os preços de Kindle, Fire TV e Echo no Brasil dependem de tributação, câmbio e política comercial próprias, que não necessariamente acompanham no mesmo ritmo os ajustes feitos em outros mercados.
Consumidores brasileiros interessados nesses produtos podem consultar diretamente o site da Amazon Brasil para verificar os valores atuais, já que qualquer estimativa baseada nos preços americanos ou europeus seria especulação. Vale lembrar que a escassez global de chips de memória citada pelas fontes é um fenômeno de cadeia de suprimentos que tende a afetar fabricantes de eletrônicos em geral, não apenas a Amazon, o que pode se refletir em reajustes de outras marcas também no mercado brasileiro ao longo dos próximos meses.
O que observar daqui para frente
A Amazon não informou se novos reajustes estão previstos nem por quanto tempo os preços atuais devem vigorar. Enquanto a escassez de memória RAM e NAND persistir, associada à demanda crescente por infraestrutura de inteligência artificial, é provável que outros fabricantes de eletrônicos sigam o mesmo caminho de Apple e Roku, já mencionados nas reportagens.
Para quem não tem pressa em comprar, as fontes sugerem esperar por promoções, considerar aparelhos recondicionados ou avaliar se o dispositivo atual ainda recebe atualizações de software antes de trocar de equipamento. No Brasil, a recomendação prática é acompanhar diretamente os preços praticados pela Amazon local, já que não há, até o momento, qualquer indicação oficial de que o reajuste internacional tenha sido replicado por aqui.


